Uma semana antes de sua primeira apresentação no Brasil e do lançamento do sétimo álbum do Plastic Noise Experience, Claus Kruse fala com Phantasma13 sobre as expectativas do show, pirataria, seu novo trabalho, projetos paralelos, e a comemoração dos 20 anos de estrada da já clássica banda alemã. Para os "fãs das antigas" ele avisa: "se preparem!".
Entrevista: Rodrigo Helfenstein
PH13: No dia 5 de dezembro o PNE se apresentará pela primeira vez no Brasil. O que nós podemos esperar deste show e quais são suas expectativas?
Claus: Tenho certeza de que este evento será bem divertido. Estou muito feliz, pois terei a oportunidade de conhecer pessoalmente vários velhos amigos. Nós temos contato com pessoas de São Paulo desde o comecinho do PNE, há quase 20 anos, então finalmente chegou a hora de aparecer. Diante do fato de que muitas pessoas tem me perguntado sobre sons das antigas, eu preparei especialmente para São Paulo um set old school com faixas principalmente do meu primeiro álbum, e são as primeiras versões feitas. Então, por favor, estejam preparados para um set bem ríspido do fim dos anos 80 e início dos 90.
PH13: Então será como um best of… talvez. Pode nos adiantar algo do setlist?
Claus: Definitivamente sim. Será um best of apresentando especialmente gravações antigas para todos os verdadeiros fãs da velha guarda. Desta vez não tocaremos aquelas versões retrabalhadas das músicas, então se prepare para ouvir versões demo bem antigas, com uma qualidade de som bem áspera e rude. Será como uma volta para 1989 e soará quase como um dos primeiros shows que fizemos.
PH13: Você já escutou bandas brasileiras de electro/industrial, como Aghast View, Simbolo ou Deadjump, por exemplo? O que você conhece de música brasileira?
Claus: É claro que conheço todas essas grandes bandas. Eu fiz um remix para o Deadjump alguns anos atrás. Eu tenho contato freqüente com diversos músicos do Brasil e conseqüentemente a chance de ouvir todo tipo de material. Eu acho que no começo as bandas brasileiras eram influenciadas pelo som da Bélgica, só que soavam mais ásperas. Hoje parece que é o contrário, o atual EBM harsh produzido na Europa parece ter sido influenciado pelo estilo pesado do Brasil.
PH13: Certa vez você declarou que o “compartilhamento de arquivos está matando a música”. Mas você sabe que boa parte de seu público no Brasil (os mais jovens pelo menos) conhecem seu trabalho somente através do download de MP3, certo? É muito caro comprar CD’s importados em nosso país, porque nós temos muitos impostos sobre eles. Qual sua opinião sobre essa situação?
Claus: Hoje nós temos a sorte de oferecer nossas músicas oficialmente para download via iTunes, por exemplo. Sei que especialmente as pessoas mais jovens não compram CD’s porque escutam o material apenas em tocadores de MP3, mas os verdadeiros fãs irão comprar o material de alguma forma.
Eu pessoalmente não me importo de que forma as pessoas tenham conseguido o material, estou feliz contanto que elas gostem das músicas. Mas realmente são tempos difíceis para as gravadoras.
PH13: Seu novo album, “Reiz und Reaktion’, será lançado oficialmente só no dia do show aqui em São Paulo. Mas os MP3 já estão disponíveis em programas de troca de arquivo. Você ficará chateado de alguma forma se as pessoas daqui cantarem as músicas novas no show com você?
Claus: Não, não ficarei chateado. É a vida e a realidade... mas todos que já baixaram o álbum tem que me pagar uma cerveja :-)
Será bem divertido se as pessoas estiverem prontas pra cantar as músicas novas. Por favor, estejam preparadas :-) Existe também uma forma legal de ouvir as músicas novas, através do meu novo myspace oficial.
PH13: Ok, vamos falar sobre o sétimo álbum do PNE, “Reiz und Reaktion”. Já faz dois anos desde seu último lançamento – a coletânea “Dead Or Alive”. O que você pode nos dizer sobre o novo trabalho? Como você o descreveria?
Claus: Para mim é o album mais sofisticado que já fiz. Tem uma orientação bem pessoal e tem diversas partes de synth pop. Ele conta diversas histórias sobre "eu e você", e se pergunta por que nós sempre estamos com problemas e é tão complicado ficarmos juntos. Especialmente para você.
PH13: O album traz cinco remixes – de Suicide Commando, Leaether Strip, Serpents, Technoir e Fuar. Como foi a escolha dessas bandas para remixar seu trabalho e qual o seu favorito (não seja político...)?
Claus: Meu favorito pessoalmente é o remix do Leaether Strip. É simplesmente fantástico. A seleção partiu da minha lista de desejo de pessoas com quem gostaria de trabalhar e, por sorte, todos concordaram em remixar imediatamente. Estou muito feliz com esse time.
PH13: A edição limitada em box do álbum oferece gravações do seu projeto paralelo, Sonic Unit, e mais o EP de cinco faixas, “Select And Destroy”. Qual era a idéia principal em lançar este EP bônus e as músicas do Sonic Unit junto com o material do PNE?
Claus: Essa edição limitada é um molho com três lançamentos. “Select And Destroy” era pra ser lançado ano passado, mas infelizmente não tive tempo para finalizá-lo. A gravação do Sonic Unit foi feita há mais de dez anos, quando eu estava com problemas com minha velha gravadora. Eu não havia lançado o álbum oficialmente e agora tive a chance de colocá-lo neste pacote de edição limitada, acrescentando um grande valor para o Box completo.
PH13: Você é também menbro do Serpents, que irá tocar como banda de abertura do PNE. Porque você decidiu trabalhar com Kazim neste projeto paralelo? Vocês são amigos de longa data, não?
Claus: Sim, Kazim é definitivamente um dos meus melhores amigos e damos apoio um ao outro em nossos projetos, tanto quanto possível. Eu não sou um membro integral do Serpents, este é um projeto do Kazim e eu sou só um trabalhador de meio período ali. Kazim está trabalhando em um novo álbum no momento e tem muito material excelente.
PH13: Mas você não acha que tocar com a primeira banda tira um pouco da diversão e do elemento surpresa para o show principal? Como você concilia as duas coisas?
Claus: Eu não estarei no palco na apresentação do Serpents. Será um show realmente old school deles, com apoio do Steffen nos teclados. Steffen é o tecladista ao vivo do PNE há mais de dez anos e ele irá dar suporte para o Kazim em São Paulo. Eu estarei atrás da mesa de mixagem.
PH13: E sobre seus outros projetos paralelos, como o próprio Sonic Unit e o Gaytron. Tem alguma novidade? Agora que você lançou essas músicas do Sonic Unit no “Reiz und Reaktion”, podemos esperar por um novo álbum oficial?
Claus: No momento quero me concentrar apenas no PNE. Tenho que preparar o aniversário de 20 anos do projeto e terei muito trabalho para 2009.
PH13: Pois é, logo você estará celebrando os 20 anos do PNE. Pode nos dizer qual foi o melhor momento da sua carreira? E quanto a pior?
Claus: O momento mais excitante foi bem no começo, as gravações das primeiras fitas, os ensaios no porão do Stephan e os primeiros shows... O pior foi o período de problemas com nossa antiga gravadora. Hoje está tudo bem tranqüilo. Os caras da Alfa Matrix são velhos amigos e sempre me deram apoio. É muito importante ter uma boa relação com os caras do selo. O humor dentro da Alfa Matrix é muito bom.
PH13: Então você está preparando algo especial para esses 20 anos?
Claus: Definitivamente sim. Apenas espere pelo anuncio da Alfa Matrix. ;-)
PH13: Como é sua relação com seu ex-parceiro Stephan Kalwa (conhecido como YSP) atualmente?
Claus: Nós vivemos há cerca de 500 km um do outro, então não se encontramos muito. Nós não tivemos nenhum stress quando dividimos o PNE. Stephan tinha interesses diferentes, e não houve uma história especial por trás dessa separação. Então acho que teremos uma boa relação se nos encontramos novamente.
PH13: Se tivesse a oportunidade de escolher qualquer banda – na ativa ou não – para remixar uma música sua, quem você escolheria?
Claus: Talvez Black Stobe, Kraftwerk ou Einstürzende Neubauten.
PH13: Um último recado?
Claus: Eu acabei de inaugurar o MySpace oficial do PNE. Por favor, sinta-se convidado para o show, aprenda as letras e deixe alguns comentários. Estamos empacotando nossos equipamentos neste momento, nos vemos em breve.